conto | SUFOCO

Eu estava detestando tudo aquilo. Maldita hora que eu fui aceitar esse desafio infantil. Mas não podia amarelar agora, afinal eu estava prestes a entrar naquele ambiente aterrador.

Dei dois passos para poder entrar naquela casinha e pude ouvir o estalido de meu salto contra o piso frio ecoar lá dentro. Um frio cobriu meus braços, ouriçando meus pêlos dourados. Suspirei profundamente e entrei.

Podia ainda ouvir as risadas de meus amigos atrás de mim, que com toda a certeza se divertiam com aquela situação. Afinal, não eram eles que estavam em meu lugar.

Andei lentamente dentro daquele local enquanto a atmosfera fúnebre e macabra tomava conta de meu ser. Eu parecia flutuar ao invés de andar, pela leveza com que batia meus pés no chão. Andei mais alguns passos à procura de alguma coisa que me fizesse sair correndo dali sem olhar para trás. Porém, durando alguns minutos nada mais vi do que escuridão e alguns manequins pintados de vermelho, talvez querendo fingir que estavam sangrando.

Durante todo o trajeto por aquele lugar não encontrei nada que me amedrontasse e já estava me sentindo aliviada por não ser um ambiente assim tão tenebroso como eu imaginara no início. Mas o auge da cena se deu quando no fim do brinquedo eu me deparei com uma porta fechada, não havia saída dali…

Meu coração pulou sentindo um medo terrível, não pelo terror de estar cercada de bonecos decapitados, ensanguentados e esquartejados, mas sim pela claustrofobia. Eu não podia ficar ali dentro enclausurada nem mais um segundo, então fui correndo o caminho inteiro de volta para achar na entrada a minha saída daquele pesadelo.

Tão grande foi o meu susto quando vi essa porta igualmente fechada. Nesse momento senti o ar se esvair de meus pulmões, sem conseguir mais voltar. Minha garganta secou, eu não conseguia mais proferir nenhum som e então meus olhos fecharam.

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texto | STEP AHEAD

Quando a gente decide deixar velhos hábitos pra trás e seguir em frente, o que exatamente deveríamos fazer? Simples: deixar velhos hábitos pra trás e seguir em frente. Lógico, não? 
Porém, o que realmente fazemos é fingir que estamos seguindo em frente e jogar os velhos hábitos pra baixo do tapete, onde podemos facilmente acessá-los quando necessário. Quando aquela recaída bater. 
Mas o fato é que deveríamos ser mais fortes e decididos. Afinal, se estamos nos comprometendo em fazer algo, ou deixar de fazer algo, deveríamos cumprir tal compromisso. E não pelo que as outras pessoas podem vir a pensar de qualquer coisa que estejamos fazendo com nossas vidas, mas pelo simples fato de que devemos ser verdadeiros em nossas intenções e sinceros conosco. 
Quem vai se machucar no fim das contas por descumprirmos uma decisão? Bem provavelmente que seja apenas nós nesta história toda. Então, se eu puder dar um conselho que valha hoje é: não esconda os velhos hábitos, jogue pela janela mesmo! Se deixar escondidinho você vai ter a tentação de ir lá dar aquela espiadinha, que acaba lhe fazendo tanto mal depois. E siga em frente, mas siga de verdade! Um passo após o outro, sem aquela história de “dois pra frente e um pra trás”. Afinal, lá atrás é de onde a gente veio, não é mesmo? Caminho ao qual já conhecemos e que não nos traz mais nenhuma novidade. Que tal tentar de verdade percorrer novos caminhos e direções? Nunca se sabe as surpresas que podem surgir ao longo desta nova rota. 

texto | ELEPHANT HEART

People use to say that if you can remember a lot of things easily you have an elephant memory. That’s because elephants have a really intelligent brain, that is similar to human’s. But we constantly forget about their hearts, that are also really great. People have the habit of paying more attention to the smartness than the kindness in the world. But we should try to change this a little bit. 
I really believe that love is at the end (and also in the beginning and in the middle) the answer to all of our questions. The reason why we wake up every morning, with sun or rain outside. The one thing that connects all of us, sometimes making one from two and then turning it into three, or more… In resume, I really think that love is the only thing that can save us all, that can change the world and turn it into a better place. 
I’m not saying that we cannot have a bright mind and a huge knowledge. But what I’m trying to explain is that even with all the smartness in our minds, we still need love to fulfill the emptiness in our souls. 
We just need a quick look in some facts to realize what I’m talking about: dogs don’t have a study at all and are the most loveable domestic animals that we know. Hitler had a big and smart mind, but also no heart. Soldiers are well trained, to kill other soldiers. In contrast, babies have no knowledge about the world, and even so, they can steal our hearts since their first breaths. 
In the end, we’ll all agree that the song that states “all you need is love” was always right. We need more elephant hearts instead of elephant minds in the world. 

conto | LUCI

Ela era como uma sinfonia elegante. Um aglomerado de sons em perfeita sincronia. Uma bela companhia para os ouvidos. Aquele tipo de música da qual não conseguimos nos desconectar e, uma vez ouvida, jamais queremos tirar do repeat
Cada gesto ou expressão que ela fazia, cada olhar distante ou suspiro profundo, era mais uma nota no compasso da melodia que a compunha. As batidas de seu coração eram como tambores que ecoavam por meus ouvidos. Seu assovio despreocupado me lembrava o som doce das flautas. E quando estava triste seu choro se assemelhava ao toque de uma gaita, a qual eu sempre procurava amparar. 
Eu nunca tinha ouvido tão bela canção em toda minha vida. Era como se o universo a tivesse composto inteira e especialmente para mim. Depois de um tempo ao seu lado eu já conhecia cada estrofe de sua letra, e sabia cantar de cor cada verso dela. A conhecia por fora, por dentro e de todos os lados. Sua partitura estava gravada em minha mente desde a primeira vez em que fomos apresentados. 
Era uma tarde clichê de verão, com o pôr do sol se movendo ao fundo do Central Park. Ela vinha de vestido floreado, imitando um jardim botânico. Minha irmã a apresentou como sua ex-colega de faculdade, mas eu não ouvi muito mais além disso, pois nessa hora meus ouvidos já estavam inundados por sua melodia. Era música pra todo lado, e só o que eu podia sentir era ela: seu cheiro, o som de sua risada, seu leve suspirar… Eram tantas notas para acompanhar que no começo confesso que fiquei meio perdido. 
Hoje, depois de passado algum tempo, estamos juntos e prestes a mudar um pouco esta história. Vamos criar uma nova canção, só nossa, e a ela daremos o nome de Luci. A nossa filha.

resenha | A COROA

Confesso que A COROA já começou me despertando muito mais interesse do que A HERDEIRA.
Nesta segunda história de Eadlyn, a jovem parece ter amadurecido um pouco e estar mais receptiva com as pessoas a sua volta. O que me aliviou, pois no primeiro livro ela era insuportável, e ficar dentro da mente de um personagem assim durante toda a leitura de um livro é uma tortura.
Como eu disse na resenha de A HERDEIRA, sabia que neste livro iria rolar um romance entre Eadlyn e um certo personagem, e realmente nesta segunda história o relacionamento deles acabou acontecendo. Acho que tudo entre eles aconteceu naturalmente e de uma forma fluida nesta sequência. Tanto que diversos momentos do primeiro livro foram resgatados neste segundo, o que achei bem interessante, para criar uma boa costura no enredo.
Outra coisa que já era meio esperada nesta sequência era a traição de um outro personagem que surgiu do nada na história. Ele nunca me trouxe muita confiança, e se Aspen não confia nele, eu também não hahaha
Algo que achei muito legal neste livro foi o romance homossexual entre dois dos selecionados. Eu meio que esperava que algum deles fosse gay, mas que ele ia se apaixonar por outro colega e que esse colega iria retribuir o sentimento, isso eu não havia previsto, mas adorei! Achei bem fofo.
O início do livro foi mais interessante do que a metade dele, que deu uma freada novamente, voltando para a monotonia da primeira história. Mas no final ele acabou dando uma melhoradinha. Ao me aproximar do desfecho da história achei que tudo começou a correr na velocidade da luz, meio apressado, meio ansioso. Mas no fim tive algumas interessantes revelações que me surpreenderam, de certa forma, e um final que, mesmo sendo clichê, teve seus pontos altos, o que deixou tudo um pouco mais agradável.
Não posso dizer que amei a história, porque seria hipocrisia de minha parte, mas com certeza esta continuação superou, e muito, seu predecessor.