poesia | CALL ME

Don’t call me sugar.
I’m no food.
Don’t call me baby.
I’m not your child.
Don’t call me sweetie.
I’m not a flavor.
Don’t call me honey.
I’m allergic to bees.
Just call me love.
That I can be.
Only for you.

Anúncios

fragmento | FUNNY LOVER

The way she falls in love is funny. Literally. She falls in love with humor. More specific, people that make funny and intelligent jokes, about anything and everything in life.
She adores finding the ones that can see the world the way she does. This gigantic round sphere, full of fool people. A messy and problematic planet, not because of itself, but its residents.
So she loves to find people that see this troubled planet and can, even though, make some fun and joy out of it. She loves this kind of people. And when she finds one of these, they usually end up becoming her true best friends or her endless crushes.
Sometimes she’s pretty sure she has loved all of them and that her feelings were real and true every and each time. But then come some days when she is not so certain anymore, and she thinks that, actually, she has never loved anyone. At least not genuinely.
In these moments all she can think of is that her heart and soul have this strong wish of loving and caring, that they trick her and make her believe that her feelings are authentic, just so she can have her fake fairytale. Although is just that, fake. Not a real deal.
She wishes it was something more, at least one time. But it seems it never is. And she doesn’t even know if someday it will be, or if it will be just her mind messing with her one more time.
How can she know for sure that a feeling is true and not only a big joke? How will she know when it happens? How can she tell the difference? Will she understand right away? There are some people that say so. Well, the only way of knowing it is to wait for it to happen. If it happens…

conto | CAIXA PARDA

Uma caixa parda. Era tudo o que me restara. Era ao que haviam me reduzido. “Leve suas coisas aqui”, disseram, me alcançando o quadrado de papelão onde eu deveria depositar todos os itens pessoais de minha mesa e gaveta. Era hora de dizer adeus. Mesmo não querendo.
Naquela caixa cabiam meus poucos itens da mesa, como canetas e bloquinhos coloridos. Também deu pra guardar meu pacote de absorvente da segunda gaveta e os recortes de revista que eu deixava na terceira. A primeira estava praticamente vazia já, apenas com alguns papéis de horário ponto e um desenho há muito feito pelo colega da contabilidade.
Sim, aquela caixa serviria. Pra guardar meus itens pessoais. Materiais. Os palpáveis. Mas e todo o resto? Todas as histórias vividas ali dentro daquele escritório? Todas as risadas dadas em meio a planilhas de relatórios? Todas as brigas pela temperatura do ar condicionado e todos os cafés fresquinhos passados naquela cafeteira no canto da sala? Todos os happy hours e festas de final de ano? Todos os bônus de fim de semestre e metas por vezes não atingidas? Onde caberiam todas estas memórias? Que caixa me entregariam para guardá-las e levá-las embora?
Me demorei ainda no meu assento, olhando tudo ao redor com nostalgia. A lâmpada amarelada que ficava no teto acima da minha mesa, e que tinha uma de suas luzes apagadas há alguns meses. A saída do ar condicionado, que estava com uma das pás quebradas, não fechando mais. As latas de lixo seco e orgânico que nunca eram utilizadas da maneira correta. O carpete empoeirado e cheio de invasores microscópicos.
Naquele dia fiz questão de ser a última a sair, dizendo alguns adeuses tristonhos aos colegas que não veria mais. Eles estariam ali no outro dia, trabalhando em cima dos mesmos projetos, mas eu já não faria mais parte da equipe.
Ao notar o vazio da sala, me dei conta que já era hora. Levantei, peguei minha caixa parda, que não carregava nem metade de tudo que eu havia vivido ali, e saí, acionando o interruptor para apagar as luzes restantes. Elas escureceram a sala e marcaram o fim da minha história naquele escritório.