conto | Nuvem de pássaros

Fim de tarde. Me encontro na casa de campo de minha avó. Digo sem muito entusiasmo:
-Vó, estou indo dar uma volta pelo campo.
-Tome cuidado com as cobras querida. – ela falou o que tipicamente uma avó protetora diria.
Não me preocupei em responder, sei que ela não escutaria. Admira-me ela ter escutado o que eu acabara de dizer. Se bem que eu falei alto o suficiente para que mesmo ela, uma senhora já velha com os dois ouvidos prejudicados pela idade, escutasse perfeitamente.
Saio da casa de minha avó e desço rapidamente a grande escadaria da frente. Vou então andando a esmo pelo campo. Não tenho um destino certo. Eu apenas precisava sair um pouco de dentro daquela casa que cheirava a naftalina. Sim, eu gosto de minha avó, e sim eu gosto de estar aqui na casa dela. É tudo tão calmo e de uma imensurável tranquilidade que é difícil demonstrar com palavras o quão bom é estar neste lugar. O problema mesmo é o cheiro da casa dela. Por mais que eu a ame, não há quem aguente aquele cheiro.
Respiro o primeiro ar puro que vem em minha direção, e que leva junto consigo meus cabelos pretos que prendi em um rabo-de-cavalo meio desengonçado. Rabo-de-cavalo… isso me lembra estábulos. Talvez eu tenha acabado de achar meu destino. Eu preciso mesmo ir até os estábulos de minha avó, estou morrendo de saudades de Charlotte, uma égua Clydesdale linda, com aquelas patas peludas que parece que está sempre de polainas. É, eu preciso ir visitá-la.
Começo a me dirigir até o estábulo, ao encontro de Charlotte, quando de repente a tarde começa a se tornar noite. Mas agora mesmo o Sol alaranjado batia em meus cabelos… Isto é estranho. Olho então pra cima para ver que fenômeno cobre o céu. Vejo então que é uma nuvem imensa e que está se movendo. Mas não é uma nuvem normal, é uma nuvem de pássaros, todos negros. Eles voam juntos para alguma direção sem importância. Fico olhando atordoada para eles, de onde saíram todos aqueles animais?
De repente a nuvem de pássaros vem em minha direção, e isso é muito estranho, pássaros não costumam ter o hábito de ir na direção das pessoas, muito menos uma nuvem de pássaros. Continuo olhando para eles, e eles continuam a vir em minha direção. Então, de uma certa forma eles me cobrem, como um cobertor a um desabrigado.
Não lembro mais de nada, só sei que o vento bate forte em meu rosto, enquanto voo para alguma direção sem importância.

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12 comentários em “conto | Nuvem de pássaros

  1. "É tudo tão calmo e de uma imensurável tranquilidade que é difícil demonstrar com palavras o quão bom é estar neste lugar." – gostei demais dessa frase, se destacou no texto :)Adoro as sensações que você coloca em seus contos. :*, Bruna.

  2. Passeando por esses blogs da vida, cheguei aqui e parei para ler seu post. Gostei de como vc escreve! Vc relata com uma precisão e verdade, que eu fiquei imaginando vc realmente em todo esse contexto…inclusive todos aqueles pásssaros. Me deu vontade de te perguntar: – Eo que aconteceu dps?? rsEspero sua visita em meu cantinho tb.bjs

  3. Karen:AOSKAOSK' Fico lisonjeada com seus elogios flor (: E fico feliz em saber que consigo demonstrar com clareza os sentimentos e sensações das personagens ^^Seja muito bem-vinda aqui no FREESCURA, as portas estão abertas pra você :)Bjs ;*

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