quote | WHAT MIGHT HAPPEN

I don’t understand how you can be so worried about what might happen, when what might not happen, is so much worse.

I Wrote This For You – Iain S. Thomas (livro)
Anúncios

resenha | FIRST LIGHT

Esse livro tem uma história muito fofinha e também educativa. Adorei acompanhar a história de Thea e Peter.
Ultimamente tenho percebido com maior clareza minha mudança de gosto literário. Antigamente eu era apaixonada pelos romances água-com-açúcar e principalmente pelos que tratavam de casais adolescentes e inconsequentes. Mas de uns tempos pra cá tenho abominado este tipo de enredo. Chegam a me dar náuseas, real! Mas percebi que ainda sou muito apaixonada pelo mundo adolescente, só que de uma forma diferente. Gosto mais de histórias com protagonistas curiosos, corajosos e até mesmo nerds, por assim dizer. Histórias onde os jovens não são tolos mimados e cheios de irritantes reclamações, mas sim pessoas em fase de crescimento e aprendizado, que querem descobrir o mundo e entender seu papel como ser humano no meio disso tudo. E posso agradecer imensamente a Rebecca Stead por ter criado um cenário assim em First Light.
Os personagens da história são carismáticos, suas intenções são as melhores possíveis, suas atitudes são muito plausíveis, e não rola nada do usual drama adolescente que costuma circundar esse tipo de livro. Enfim, achei uma história muito boa.
O único problema que me incomodou um pouco foi que a tradução do livro não foi bem feita, e a empresa que editou acabou se passando na parte da revisão. Havia diversos erros de gramática no livro, palavras repetidas e afins. O que acabou atrapalhando um pouco a leitura num certo ponto. Tirando isso, o resto foi muito bom.
Algo que achei demais foi que os pais de Peter são cientistas: a mãe é bióloga e o pai é geólogo. Então ao longo do livro somos ensinados sobre muitas coisas que envolvem estes assuntos. O que acho algo incrível, quando uma história além de boa é instrutiva.
Quem estiver à procura de um livro leve, educativo e bonitinho, se sentirá feliz em conferir esta história.

“Adorava assistir ao despertar da rua à noite. Era como observar as estrelas surgirem.”

texto | GANÂNCIA

Era gananciosa. Queria ter o poder de voltar no tempo e repassar na mente qualquer lembrança do passado, como se fosse a cena de um filme, com o repeat ativado. Assim poderia voltar para aquela despreocupada conversa no Café da esquina, regada a cappuccino extra forte e risadas sinceras. Coberta por trocas de olhares brilhando e leves encostar de mãos, pele, alma.
Ansiava por reviver aquele momento, onde tudo era fácil, simples e verdadeiro. Onde a conversa fluía, por caminhos nunca antes imaginados e de forma alguma premeditados. Onde assuntos de diferentes áreas se entrelaçavam em um bate-papo sagaz, roubando sorrisos de canto ora de um, ora de outro.
Sonhava com o aroma daquele lugar, impregnado de cafeína. Um cheiro forte e agradável, quente e acolhedor, que nos dias de frio surgia para lhe abraçar e trazer de volta à sua mente a lembrança daquela tarde de domingo.
Naquele dia, o clima lá fora estava gelado, escondido embaixo da neve que incessantemente caía daquele cinzento céu de dezembro. O frio espantava as pessoas das ruas e as amontoava em restaurantes, lanchonetes e cafeterias quentinhas, equipadas com eficientes estruturas de calefação. Mas independentemente da temperatura do ambiente, fosse o gélido ar das ruas ou a cálida atmosfera dos estabelecimentos comerciais, dentro dela estava tudo virado em chamas.
O que ela não daria para voltar ao fervor daquele congelante domingo de dezembro e para aquela tranquila conversa no Café da esquina.
Era gananciosa. E sabia disso.
Primeiramente porque sabia que ninguém era capaz de voltar no tempo. Mas sua ganância maior se dava por querer algo que sabia que jamais poderia ter. Ele.