fragmento | TARDES COMO AQUELA

Gostava de tardes como aquela, frescas, iluminadas pelo sol poente, tranquilas, sinceras, humildes.
Tardes em que se sentava na varanda de casa, acariciando o felino que não parava de ronronar a sua volta.
Tardes em que olhava para o céu e enchergava formas de animais nas nuvens.
Tardes em que escurecia mais tarde, mas os sonhos chegavam mais cedo, quando ela ainda estava acordada.
Tardes de limonada e bolo de chocolate.
Tardes de sombra de árvore e flores de laranjeira.
Tardes de descanso, de paz.
Tardes de som de pássaros nas árvores, logo ali.
Tardes que pareciam não ter fim, mas que infelizmente sempre tinham.

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quote | AFTERLIFE

Será que existem várias vidas? Será que todos voltamos ao mundo diversas vezes em lugares diferentes? […] O maior mistério é crer em algo que nunca podemos provar. Eu nunca saberei o que aprendi em outra vida, nem o que fiz de errado. […] O jeito era fazer de cada vida como se fosse única. E viver cada momento como a primeira vez.

Beijos, bolsas e brigadeiros – Fernanda França (livro)

resenha | THE RED QUEEN

Ahh, como eu amo os livros da Philippa Gregory! Ela sempre me surpreende com suas histórias sobre importantes e fortes mulheres europeias. Mulheres que marcaram gerações. E o mais legal é que nenhuma delas é igual a outra. Philippa mergulha na história de cada uma e trás sempre uma personalidade única para elas.
Eu não poderia ter amado mais este livro. Margaret Beaufort é uma personagem hilária, complexa e desafiadora. Em sua infância ela é encantadora, com toda sua inocência e devoção cega e descomedida. Ela acredita piamente ter sido escolhida por Deus e ter ouvido o chamado dele, assim como Joana d’Arc dizia ouvir o seu. Inclusive, Joana é a maior inspiração de Margaret ao longo do livro, o que é incrível, uma forte mulher seguindo os passos de outra na história.
Conforme Margaret vai crescendo, e muito devido aos ambientes e situações aos quais a submetem – como casar cedo, ter um parto complicado, estar praticamente abandonada da família e ainda por cima nunca ter a chance de criar o filho perto de si -, nossa protagonista acaba se tornando uma adulta amarga e ambiciosa. Ela segue com sua crença de ter sido tocada pela mão divina, que a escolheu e a seu filho para governarem a Inglaterra, e luta por esse objetivo até o fim. Mas pelo caminho ela acaba encontrando muitos, mas muuuitos obstáculos e assistindo a diversas reviravoltas no domínio do país. Muito disso a faz tomar algumas decisões precipitadas e erradas, sem que ela nem mesmo se dê conta do quão absurdo é o que está fazendo.
Mas o mais incrível disso tudo é que, como eu disse antes, Philippa desenvolve personagens muito singulares, e Margaret não poderia ser diferente. Ela acredita até o fim que está certa, que foi escolhida por Deus e que tudo que faz é da vontade dele. Não admite nem por um segundo estar errada em suas escolhas e desejos. Tanto sua mente como suas atitudes demonstram sua personalidade. E isso me deixou muito feliz, pois a fez ser uma personagem autêntica, diferente de muitas que vemos por aí no mundo literário, que pensam A, agem B e justificam seus atos com C. Nada faz sentido com nada em suas personalidades e a gente nunca sabe quem realmente são. Mas com Margaret é completamente ao contrário, a gente a compreende, pois ela é muito sincera consigo mesma, com o que deseja. Mesmo que nem sempre aja ou pense da maneira correta.
Outra coisa que achei muito legal – e um pouco engraçada – na personalidade de Margaret é que ela está sempre falando mal dos York, por terem usurpado o trono dos Lancaster. Ela rebaixa tanto a rainha Elizabeth Woodville em seus pensamentos, que é hilário, pois eu tenho certeza que Elizabeth nem sabia da existência de Margaret por um tempo. Margaret dava tanta atenção para Elizabeth, a xingando toda vez que tocava no nome dela, enquanto que Elizabeth por sua vez devia estar lá bem bela, vivendo sua vida de rainha, como se nada estivesse acontecendo.
Adoro ler os livros de Philippa por ter a oportunidade de conhecer cada vez mais a história da monarquia inglesa, que é um assunto pelo qual sou fortemente apaixonada. E a cada livro dela aprendo um pouco mais sobre os personagens que fizeram esta história toda acontecer. Neste livro, por exemplo, descobri, com imensa euforia, que Margaret é nada mais, nada menos, do que a avó do rei Henrique VIII! Realmente essa linhagem tem sangue quente e garras fortes.
Enfim, amei tudo! E já estou louca pelo próximo!

“I am a child sent out to do a woman’s duty.”

texto | OVERFLOWING PEOPLE

There are some people that overflow. They are so full of something that they can’t contain themselves anymore, so they need to give it all to the world around them.
Musicians need to show their songs to the everyone. The notes flow through their fingers, run in their veins, like the blood inside them. They breathe it, live it, and need to pass it forward.
Dancers are the same. Every part of their bodies tingle, wanting to put out all the energy that is hiding inside their souls, underneath their skins, between their bones, and around their muscles.
Writers handle to do it through their thoughts. They fill rooms with all the passion that fill themselves inside. Every letter, every word, every sentence, every paragraph, are the main tools that create their magic, their gift to the us.
So you see, the world is full of people that are full of things. Like love, joy, empathy. And when we meet one of them we can tell, without any doubt, that they are one of those overflowing people. One of those needing to share with us all the secret mysteries they carry inside. All the light that illuminates their paths. And we manage to recognize them right away because all about them tells us they are one of those. The brightness in their eyes, the smiles in their faces, the warmth in their voices, and the strange and difficult to describe, but also very unique, honesty about the energy that emanates from their hearts and goes straight to ours.
One day I hope to overflow like one of those.