poesia | Our road

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha…

 

 
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
 
Hoje, segues de novo…Na partida

 

Nem o pranto os teus olhos umedece,

 

Nem te comove a dor da despedida.

 

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece

 

Na extrema curva do caminho extremo
Olavo Bilac – Nel mezzo del camin
 


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poesia | Sou todo ouvidos

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas!”
 
Olavo Bilac – Via Láctea
 


resenha | A Origem

Antes de falar o assunto que dá título a esse post, quero mostrar uma foto que achei andando pelo We♥it.
 
Quem entender a essência da piada, com certeza achará engraçado.
 
Assim como essa tirinha feita com os personagens do filme A ORIGEM, o filme também é para pensar. Como dito na frase abaixo da tirinha, quem entende achará engraçado, é que a tirinha é inteligente. O filme onde esses atores trabalham é perturbadoramente inteligente. É aquele com o Léo DiCaprio, o dos sonhos. Vi ontem com meu pai e fiquei pasma. O filme é espetacular do início ao fim. Ele te dá assunto para explanar, ou seja, não é um filme que você vê e acha apenas legal, é um filme tão complexo que te deixa pensando: “Tá, mas isso aconteceu ou não? É isso ou aquilo? O que afinal é real?” Você pode divagar por horas e horas o assunto desse filme, pela complexidade com que é retratado. Cada cena é um enigma a mais que se desenrola e deixa você de queixo caído. Sem contar nos incríveis efeitos especiais que foram usados pra mostrar o chão dobrando e virando o céu. Os prédios se movendo e as pessoas andando em paredes e tetos de corredores de Hotéis. É tudo muito bem feito, com cenas em slow motion e tudo mais. E o que é mais impressionante e intrigante é o seu final. Quando terminei de ver fiquei assim:
 
 
Recomendo o filme àqueles que realmente gostam de filmes para pensar e um tanto complicados de entender. Nada impossível, mas necessita de atenção total. Eu mesma não entendi alguns detalhes, mas que não modificam o entendimento da história. Espetacularmente intrigante.

(TEXTO) Tem Dias

Tem dias em que você acorda estressado. Nada lhe agrada, nada lhe parece estar certo. Tudo começa a dar errado. Um dia cinzento, nublado, escuro e solitário.
Você não consegue achar graça nas piadas de seus amigos, se estressa com o professor de matemática, xinga deus e o mundo e por fim bufa sozinho em um canto, tentando achar algo alegre em que pensar para não perder a cabeça. O problema é que nada nesse dia está ou é alegre.
As pessoas lhe estressam, o som de suas vozes lhe perturba, uma dor de cabeça enlouquecedora toma conta de seu cérebro. Seu corpo pesa, ele pede uma cama, mas você não pode simplesmente abandonar tudo e ir dormir. Compromisso, essa é a palavra que te impede de descansar. Responsabilidade, outra que não te ajuda em nada nesses dias.
Mas no fim do dia, quando todas as palavras de cobrança e de obrigações somem, tomam seu rumo e lhe deixam em paz, sua cabeça se esvazia. Aquela dor já não machuca mais, as vozes já não incomodam como antes. Tudo começa a tomar cor e o mundo, antes cinza em que você estava, dá espaço a um lugar mais gentil e agradável.
Você não bufa mais, apenas suspira, aspirando o ar que antes lhe parecia tão pesado. Seus ombros são libertos do peso e você se sente leve. Toda aquela nuvem de preocupações e problemas some e tudo volta ao normal. Porque afinal, tem dias em que tudo dá errado, mas nenhum dia dura para sempre.