Minh’alma

Sabe quando você tem uma alma gêmea? Aquela que é igualzinha a você e que ao mesmo tempo te completa? Que te acompanha em todos os momentos, sejam eles bons ou nem tanto assim? Pois é, eu tinha uma. Tinha…

É triste pensar que esta existência agora está no passado e que já não tenho mais quem se enrosque nas minhas pernas nos dias de frio, nem quem fique me vigiando com grandes e curiosos olhos amarelos, ou quem não pare de miar até receber comida.

A Preta era essa minha alma gêmea. Há mais de quatro anos junto comigo, veio antes do meu irmão nascer, e já era da família. Acho que nunca tive um animal tão parecido comigo em toda a minha vida. Sempre na dela, não era de ficar aloprando para receber afago, mas não negava um cafuné carinhoso. Seguia-me para todos os lados, como uma sombra que não deixa seus pés.

Como meu pai disse, acho que era a hora dela, pois já devia ter perdido todas as sete vidas. E eu que sei as poucas e boas que ela já tinha passado. Mas espero que aonde ela esteja, sua nova vida seja eterna, e que ela possa me esperar para nos vermos novamente.

Se eu pudesse ter um único desejo em relação a ela, pediria que ela voltasse, não simplesmente como uma gata zumbi, mas que viesse em corpo de gente para que pudesse ser oficialmente a amiga que era pra mim. Meio gata, meio cachorra, mas que não teria problemas em ser humana.

Vou sentir muitas saudades da minha pequena, que era tudo para mim: alma gêmea, filha e amiga. Mas o que me deixa feliz, mesmo em meio a esse mar de tristes lágrimas no qual me afogo aos poucos, é ter certeza de que ela foi embora sabendo que sempre foi muito amada.

Preta

Anúncios

Nada como um dia após o outro

Está na hora de dizer tchau. Foi bom, mas passou. A peça chega ao fim, os atores se despedem, as cortinas se fecham e a equipe técnica recolhe o cenário.

Enquanto isso, distraídas, as pessoas da plateia retornam para os seus lares, sonhando o sonho de personagens que nasceram dos sonhos de outras pessoas.

Então o tempo vai passar. E no futuro, quando olharmos para trás, certamente não recordaremos de cada palavra dita, mas lembraremos que eram reconfortantes. Não teremos decorado cada piada, mas nos farão sorrir as lembranças das boas risadas que demos naquela época. E entenderemos que o que conta não são as paisagens presas em porta-retratos, mas sim quantas delas permanecerão imortalizadas em nossas lembranças.

Uma hora as lágrimas irão parar de cair, a saudade não doerá tanto assim e a lembrança que prevalecerá nos fará entender que tudo valeu a pena.

Ainda sentiremos falta da presença, mas nos acalentará o coração saber que o sentimento será eterno e insubstituível.

No fim da história o importante não é o “E viveram felizes para sempre”, mas sim o fato de terem vivido! E felizes! Seja no início, no meio ou no fim.

f2d25736e0d81358abf55485caace17a