Mentira

Lágrima cai
Rosto molha
Dedos secam
Lábios sorriem
Rosto engana
Coração mente
Coração dói
Coração sente
O que a mentira destrói

Anúncios

O laço de fita

Não sabes, criança? ‘Stou louco de amores…

Prendi meus afetos, formosa Pepita.

Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!

Não rias, prendi-me

Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,

Nos negros cabelos da moça bonita,

Fingindo a serpente qu’enlaça a folhagem,

Formoso enroscava-se

O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,

Qual pássaro bravo, que os ares agita,

Eu vi de repente cativo, submisso

Rolar prisioneiro

Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia

Debalde minh’alma se embate, se irrita…

O braço, que rompe cadeias de ferro,

Não quebra teus elos,

Ó laço de fita!

Meu Deusl As falenas têm asas de opala,

Os astros se libram na plaga infinita.

Os anjos repousam nas penas brilhantes…

Mas tu… tens por asas

Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,

Na valsa que anseia, que estua e palpita.

Por que é que tremeste? Não eram meus lábios…

Beijava-te apenas…

Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos

N’alcova onde a vela ciosa… crepita,

Talvez da cadeia libertes as tranças

Mas eu… fico preso

No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale

Abrirem-me a cova… formosa Pepital

Ao menos arranca meus louros da fronte,

E dá-me por c’roa…

Teu laço de fita.

Castro Alves

Sai de mim!

Eu estava feliz
A vida corria bem
Tudo era flor-de-lis
E arco-íris também

Mas então tudo mudou
Tudo voltou
A lembrança invadiu
A máscara caiu

Você apareceu
O sonho derreteu
A saudade voltou
A paz se evaporou

Eu não queria
Não permitia
Mas aconteceu
Você apareceu

Por que agora?
Por que nessa hora?
Por que assim?
Não vai ter fim?

Larga de mim
Vai embora
Digo para mim:
– Não chora!

Ouço boatos
Você e alguém
Não são só boatos
Alguém já lhe tem

Não dá pra assistir
Não quero insistir
Prefiro partir
Preciso ir

A dor não deixa
Ela se queixa
Quer agora
Quer na hora

Não vou me abater
Jurei te esquecer
Pode doer
Mas é pra valer

Sai de mim amor meu
Vá procurar o seu
De novo só vou te encontrar
Quando o meu coração se curar

“Saudade, já não sei se é a palavra certa para usar
Ainda lembro do seu jeito.” (Chimarruts – Versos Simples)

Namorados

Ela não suportava o Dia dos Namorados
Ele comemorava a data todos os anos
Ela detestava flores
Ele lhe oferecia um buquê
Ela amava chocolate
Ele dizia que engordava
Ela gritava: Eu te odeio!
E então ele a beijava.

“Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? 
E quem irá dizer que não existe razão?” (Legião Urbana – Eduardo e Mônica)