resenha | A LONGA VIAGEM A UM PEQUENO PLANETA HOSTIL

Terminei hoje de ler o livro A LONGA VIAGEM A UM PEQUENO PLANETA HOSTIL, de Becky Chambers, e posso afirmar que esta foi uma das ‘longas viagens’ mais incríveis e emocionantes que tive nas minhas últimas experiências literárias.
Primeiramente preciso dizer que fiquei tocada com o fato de que a autora conseguiu lançar a primeira edição do livro através de ajuda de terceiros em um site de financiamento coletivo. Ela ralou, apostou no sonho, e fez o livro acontecer. Agradeço a ela pela persistência, e também as pessoas que ajudaram neste início, pois é por causa delas que hoje posso ter a experiência de pegar este livro nas mãos e dar a ele todo o carinho que merece.
Enfim, falando um pouco sobre a escrita de Becky, me apaixonei completamente! A mente dela é incrivelmente criativa! Obviamente que a ajuda técnica de seus pais na área espacial ajudou a criar toda a ambientação e detalhes acurados para a história, mas o mérito da ideologia da obra é todo da Becky, e por isso eu a admiro muito. Adoraria passar um tempo dentro da sua mente para conhecer suas mais loucas ideias.
Por se tratar de uma ficção científica sobre uma realidade completamente nova, mesmo que carregada de algumas teorias conhecidas universalmente no âmbito espacial, foi preciso muito cuidado na construção desta história, uma vez que ela corria um risco alto de se tornar maçante e confusa. Becky realizou esta tarefa com maestria e elegância! O universo que ela criou é completamente verossímil dentro de seu âmbito, e as explicações de todas as novas realidades as quais vamos sendo apresentados, são orgânicas e se encaixam perfeitamente com o contexto e enredo das cenas. Está tudo no lugar, com fluidez e sem ser cansativo ou estranho. A autora nos faz sentir como se nós mesmos já habitássemos tal realidade. Como se fôssemos parte integrante deste ecossistema espacial e desta Comunidade Galáctica.
Além disso, as descrições de seus personagens (tanto físicas como emocionalmente), assim como dos cenários nos quais habitam, foram feitas na medida, sem deixar lacunas que poderiam vir a causar confusões na construção da cena, nem mesmo muito extensas, que poderiam tornar a leitura enfadonha. Pelo contrário, o ritmo da leitura segue constante e nosso interesse pela história só evolui a cada página virada.
Ainda falando dos personagens de Becky, estou completamente apaixonada por eles! A construção que Becky fez de cada um foi incrível! Não apenas os personagens são maravilhosos, no sentido de que eu gostaria de ser amiga de todos eles, mas eles também são muito bem caracterizados, no sentido de complexidade. A autora conseguiu construir distintas personalidades, sem incoerências no meio do enredo. Cada um dos tripulantes permanece fiel àquilo ao qual se propõem no início do livro. Não há falhas de caráter ao longo da história, onde percebamos uma mudança brusca de personalidade em algum deles, que não faça sentido. Afinal, tudo na escrita de Becky se encaixa, e tem algum motivo.
De todos os tripulantes da Andarilha, meus preferidos são Kizzy, Jenks e Dr. Chef. Os três, juntos com os demais, formam uma família excêntrica e bem estranha, mas que se complementam e se amam do seu jeito. Adoro todos, mas estes três são os com o coração mais puro que pude notar ao longo da história.
Por fim, é importante destacar que, mesmo se tratando de uma história fictícia em um universo irreal, todos os dilemas abordados ao longo do livro são os mesmos pelos quais passamos na vida real: preconceito racial, sexual, acordos internacionais entre nações, amores proibidos, etc. Muito do que acontece em A LONGA VIAGEM pode ser facilmente traduzido para a nossa realidade, o que assusta um pouco e faz a gente pensar e repensar alguns conceitos pré-estabelecidos. Além de ter criado um livro excepcionalmente belo e mágico, de uma leitura fácil e fluida, Becky ainda o fez ser filosófico. Que mulher!
Quem ainda não leu ou estava na dúvida se valia a pena, por favor, arrumem uma cópia dele imediatamente!

a longa viagem

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resenha | COROA CRUEL

Tão bom poder voltar para o universo de Rainha Vermelha, nem que seja através dos curtos contos presentes neste livro.
Amei as duas histórias dele! Conhecer Coriane (sua versão jovem) foi um grande prazer. Acredito que ela tenha sido uma grande mulher em seus tempos de glória. Pena que teve a mente destruída por pura inveja alheia. Coriane merecia ter tido um final feliz. Espero que seu filho tenha.
Já a história de Diana foi igualmente incrível, mas muito mais próxima ao meu coração. Descobrir como ela e Shade se conheceram (e poder ver ele de novo <3) foi a situação mais linda que este livro poderia ter me proporcionado. Não queria que tivesse acabado. Queria continuar lendo mais e mais sobre a vida deles e sobre a aurora que tanto tentavam levantar.
Essas duas histórias só me deram mais gás ainda para querer ler o próximo episódio desta saga (Tempestade de Guerra).

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resenha | CLAROS SINAIS DE LOUCURA

Uma história tocante e sincera, sobre o início da adolescência e os conflitos familiares pelos quais todos temos que passar, e que mesmo sendo diferentes de família pra família, acabam assolando a todos nós.
Sarah é uma jovem protagonista hilária, com pensamentos caóticos e dramáticos, mas contagiantes. É inteligente e estranhamente madura pra sua idade. É divertida e cativante. A típica garota que eu gostaria de ter como amiga na adolescência.
Seus relacionamentos familiares, e com amigos, são interessantes, profundos e complexos. É belo ver como ela lida com cada situação que lhe aparece, tentando vencer a nova fase pela qual está passando, e tendo em vista todos os esqueletos escondidos no armário de sua família. Pode-se pensar que é muito para a cabeça de uma jovem de 12 anos, mas Sarah faz parecer tão mais fácil do que realmente é.
Obviamente como qualquer adolescente que se preze, Sarah acaba por vezes exagerando no drama, principalmente quando o assunto é sobre garotos. Mas relevando esta pequena passagem que irrita um pouco, mas que retrata a realidade das jovens da idade dela, o livro se torna uma obra de arte e amor.
Todos deveriam conhecer Sarah. Eu tenho certeza que se tornariam seus amigos na hora, ou no mínimo seus admiradores. Eu me tornei!

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resenha | A SEXTA MULHER

A partir da sinopse a qual somos apresentados neste livro, tudo dá a entender que a história será sobre Catarina Parr – sexta e última mulher do rei Henrique VIII – e seu abrupto romance com Thomas Seymour. Porém, a obra vai muito além deste simples cenário, e por ser narrada pela melhor amiga de Cate, Catherine duquesa de Suffolk, acaba também sendo muito sobre a vida desta, e sua paixão secreta pelo novo marido da amiga – no caso, o safado do Thomas.
Mesmo tendo achado interessante a dinâmica do livro, sendo ela diferente do que o que eu esperava inicialmente, a personagem de Catherine acabou não me convencendo muito no início da história. Ela se dizia uma pessoa impetuosa, destemida, que não seguia as regras quando estas não lhe convinham, e que dentre ela e Cate, ela era a mais cômica e espontânea, enquanto que a amiga era a centrada e educada da dupla. Porém, tudo isso só se passava em sua mente, uma vez que suas atitudes de verdade eram bem racionais e quadradinhas, dentro do padrão esperado pela sociedade. Mas enfim, em um certo momento do livro o jogo vira, e Cathy começa finalmente a aparentar a figura que pintava ser desde o começo. Daí então é possível confiar mais em sua palavra e respeitar a personagem, além de nos envolvermos mais com a história.
O enredo em si não foi um dos meus preferidos, pois mesmo Cathy evoluindo ao longo da história e se tornando uma personagem mais cativante do que era no início, ainda assim ela não é uma personagem apaixonante. Ela melhora, mas não conquista. Realmente não me conectei com ela. Assim como não me conectei – acho que assim como todo mundo – com Thomas, seu amante. Ele é um bossal que me deu nojo durante todo o livro. E também fiquei chateada com Cathy pela postura a qual tomou em frente à situação que ele lhe colocara.
Resumindo, terminei o livro sem muito apreço por qualquer dos personagens, já que Catarina Parr também é outra sem sal que não agradou muito. Porém, o que mais me chamou atenção não foi a história desta obra em si, mas sim quando cheguei ao final dela – literalmente. A autora traz nas últimas páginas um epílogo citando alguns fatos e curiosidades reais dos personagens descritos no livro, e comentando que o romance entre Cathy e Thomas na verdade é uma parte fictícia que ela criou para rechear o restante da história. Achei muito interessante todas as informações que ela trouxe sobre Cate, Thomas e Cathy, além também de outros personagens que estão envolvidos de alguma forma com estes três. Estas informações nos dão aquele gostinho de “baseado em fatos reais” que é sempre conquistador.
E se já não bastasse este belo epílogo que me serviu como alívio literário após uma história meia-boca, a autora ainda escreveu uma explicação sobre sua forma de escrita, que não é de ficção história e que vai muito além disso. Amei saber mais sobre ela e seu processo criativo. Ela parece ser super bem resolvida quanto às suas opiniões, o que me fez gostar bastante dela, independente da história que eu acabara de ler. Gostei dela como pessoa. Uma a qual eu teria o maior prazer de encontrar em um café e conversar horas a fio sobre literatura, linguagem e construção de personagem. Ela me pareceu ser alguém com ideias bem formadas, interessantes e inteligentes. Então, Suzannah, quando quiser tomar aquele café, só me chamar! 🙂

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(RESENHA) Lembra de mim?

Recentemente eu criei uma amizade literária com uma colega de trabalho que já era minha amiga, mas que agora é minha book sister praticamente. hahaha A gente vive se indicando leituras, e emprestando livro uma pra outra.
Há uma semana, mais ou menos, ela me emprestou o livro LEMBRA DE MIM?, dizendo que era o tipo de leitura que eu iria amar. Confiei e não me arrependi! Terminei a história há cerca de umas duas horas e ainda estou em êxtase.
O livro é de uma autora que já amo há algum tempo: Sophie Kinsella, mesma autora da série Becky Bloom, e de Os Segredos de Emma Corrigan, livro o qual tive o prazer de apreciar em seu idioma original. Sendo assim, a obra emprestada e indicada por minha amiga já se mostrava promissora. Sem contar que o enredo me deixou extremamente intrigada.
LEMBRA DE MIM? conta a história de Lexi, uma jovem que acorda em um hospital, após um grave acidente, achando estar em 2004, com dentes tortos, cabelo desgrenhado, um namorado traste e um cargo de assistente em uma empresa de carpetes. Quando, para sua surpresa, ela descobre que na verdade está em pleno ano de 2007, com um corpo maravilhoso, um marido dos sonhos e o cargo de diretora na mesma empresa onde trabalhava. Só pode ser uma grande brincadeira do destino, mas não é. Lexi está sofrendo de amnésia, e esqueceu completamente os últimos 3 anos de sua vida. E agora?
Quando comecei a leitura fui completamente arrebatada! Não é só o enredo que é incrível, mas sua minuciosa construção e a constante onda humorística que envolve a história. Eu não conseguia me controlar e ria alto e sozinha a cada página, não importando o lugar onde eu estava. Confesso que provavelmente paguei um ou dois micos ao longo do caminho, lendo dentro do ônibus ou em locais públicos cheios de outras pessoas que me encaravam desconfiadas. Mas não estou nem aí, a história estava incrível! O que eu podia fazer?
Lexi é uma personagem maravilhosa! Eu não sou muito chegada em protagonistas, e constantemente me pego apaixonada por aqueles personagens secundários, que normalmente são os menos irritantes da história. Mas nesse livro não teve como não me encantar pela personagem principal. Ela é demais! Suas atitudes são incríveis, dignas, e sinceras. Fiz dela minha inspiração. Porque, afinal, o que somos nós aqui nesse mundo além de seres buscando compreender nosso eu interior e nossa real função na Terra? Estamos em uma constante busca para nos entender, e é exatamente isso que Lexi faz nesse livro, só que de forma bem mais literal, tentando saber o que se passou nos últimos anos e buscando se encaixar em sua nova-velha vida.
A história não poderia ser mais perfeita. Me fez suspirar, chorar e gargalhar, tudo em questão de algumas viradas de página. Indico à todos os corações moles de plantão. E me lembrou muito um filme que assisti há alguns anos, Para Sempre, de uma mulher que perdeu a memória dos últimos 5 anos e esqueceu toda a vida com o marido, homem este que então se dedicou a reconquistar a mulher. A resenha dessa outra história vocês podem conferir aqui. Vale muito a pena também! Sem contar o clássico Como se fosse a primeira vez que encanta a todos com a história de Lucy e sua memória de 1 dia. Outro filme que vale muito a pena assistir!

lembra de mim