resenha | AMANHÃ: QUANDO A GUERRA COMEÇOU

Fui levada a conferir o início da série Amanhã, pois há muitos anos atrás, uma amiga minha falou muito bem dos livros, isso quando ainda estávamos na escola. Desde então tenho essa curiosidade pra conferir a tal história que tanto a conquistou. E realmente ela não estava enganada. A série Amanhã é muito boa!
A história conta a luta de oito jovens pela sobrevivência em meio a uma invasão que estão sofrendo em seu país. Os invasores falam uma língua desconhecida, cortaram linhas de comunicação, sequestraram as famílias deles e estão destruindo e saqueando casas por toda a cidade. E os jovens então, unidos, precisam criar um plano para seguirem vivos.
É incrível como podemos ir percebendo, já no primeiro livro, a evolução dos personagens. No início eles são apenas jovens colegiais, cheios de emoções, impulsividades e divertimentos. Porém, à medida que vão entendendo o que está acontecendo, começam a se tornar mais duros, mais tensos, e até mesmo mais corajosos. Antes uma simples cobra no meio da floresta era capaz de amedrontá-los, mas agora, unidos, eles enfrentam soldados treinados e mais armados do que eles.
A história é contada através da narração de Ellie, a protagonista, e esse formato acaba nos fazendo conhecê-la bem. Posso dizer com alegria que amei Ellie. Normalmente tenho receio quanto aos protagonistas, pois alguns me irritam intensamente, mas Ellie é ótima!
Além de tudo isso, o livro ainda ensina várias técnicas de sobrevivência e como agir nesta situação extrema. Então, se algum dia eu precisar deste conhecimento, serei eternamente grata por John Marsden ter me dado ele. Estou ansiosa para conferir o segundo livro da série, que já aguarda em minha estante sua hora de triunfo.

“Nessa vida de castelos de areia,
Duas coisas são firmes como a rocha.
Bondade diante da difiduldade alheia
Coragem diante da dificuldade nossa.”

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resenha | FIRST LIGHT

Esse livro tem uma história muito fofinha e também educativa. Adorei acompanhar a história de Thea e Peter.
Ultimamente tenho percebido com maior clareza minha mudança de gosto literário. Antigamente eu era apaixonada pelos romances água-com-açúcar e principalmente pelos que tratavam de casais adolescentes e inconsequentes. Mas de uns tempos pra cá tenho abominado este tipo de enredo. Chegam a me dar náuseas, real! Mas percebi que ainda sou muito apaixonada pelo mundo adolescente, só que de uma forma diferente. Gosto mais de histórias com protagonistas curiosos, corajosos e até mesmo nerds, por assim dizer. Histórias onde os jovens não são tolos mimados e cheios de irritantes reclamações, mas sim pessoas em fase de crescimento e aprendizado, que querem descobrir o mundo e entender seu papel como ser humano no meio disso tudo. E posso agradecer imensamente a Rebecca Stead por ter criado um cenário assim em First Light.
Os personagens da história são carismáticos, suas intenções são as melhores possíveis, suas atitudes são muito plausíveis, e não rola nada do usual drama adolescente que costuma circundar esse tipo de livro. Enfim, achei uma história muito boa.
O único problema que me incomodou um pouco foi que a tradução do livro não foi bem feita, e a empresa que editou acabou se passando na parte da revisão. Havia diversos erros de gramática no livro, palavras repetidas e afins. O que acabou atrapalhando um pouco a leitura num certo ponto. Tirando isso, o resto foi muito bom.
Algo que achei demais foi que os pais de Peter são cientistas: a mãe é bióloga e o pai é geólogo. Então ao longo do livro somos ensinados sobre muitas coisas que envolvem estes assuntos. O que acho algo incrível, quando uma história além de boa é instrutiva.
Quem estiver à procura de um livro leve, educativo e bonitinho, se sentirá feliz em conferir esta história.

“Adorava assistir ao despertar da rua à noite. Era como observar as estrelas surgirem.”

resenha | TEMPESTADE DE GUERRA

Então gente, socorro! Terminei de ler Tempestade de Guerra, e com ele cheguei ao fim da série A Rainha Vermelha. Não sei nem o que dizer. Estou falecida – como tantos personagens desta história.
Mas sendo prática, em linhas gerais amei o livro. Ele seguiu o mesmo ritmo e dinâmica dos anteriores, e ainda trouxe quatro vozes junto com a de Mare. Além da narração majoritária de Mare Barrow – afinal de contas ela é nossa Rainha Vermelha -, neste livro também somos agraciados pelas vozes de Iris Cygnet – noiva de Maven e princesa de Lakeland -; da afiada e forjada no fogo, Evangeline Samos; e com todo meu amor e coração partido, pelas vozes de Cal e Maven.
Gosto da forma que a autora trabalha essa dinâmica de construir capítulos para personagens em particular, sem repetir fatos na cronologia, e usando as falas de cada um para que se complementem e nos mostrem o todo da história.
Gostei especialmente da força da Guarda Escarlate neste livro. A forma como a causa deles e até mesmo seu grito de guerra cresceu e transcendeu cor de sangue e divisão social, me deixou arrepiada por diversas vezes.
Adoro também a forma como Victoria trata a história e seus leitores, com respeito. Conforme ela vai criando mistérios e gerando perguntas em nossas mentes, logo ela já vai revelando as respostas pra sanar nossas aflições. Ela não deixa lacunas em aberto, e finaliza todas com a mesma classe e autenticidade nas atitudes de cada personagem.
Enfim, Tempestade de Guerra foi o capítulo final de uma bela, incrível e arrebatadora história que eu amei acompanhar. Sentirei saudades desta aurora.

“Vamos nos levantar, vermelhos como a aurora!”

resenha | UM TRONO NEGRO

Há algum tempo li o primeiro livro desta série e me apaixonei pelo enredo. A série sobre as Rainhas de Fennbirn fala sobre uma disputa entre irmãs trigêmeas pelo trono de uma ilha. Fui ler a sequência desta história com a mesma gana que li o primeiro livro, porém desta vez não fui tão arrebatada como da primeira vez.
Talvez tenha sido por eu tê-lo lido em um momento diferente da vida, não sei. Só sei que desta vez não foi como a primeira. Não pareceu tão mágico como o primeiro livro.
A história em si é legal, os personagens estão cada vez melhores, as intrigas são boas, mas algumas coisas na dinâmica da leitura me incomodaram um pouco.
Primeiramente, a narrativa de Katharine – uma das três rainhas – não me agradou neste livro. Ela parecia irritada demais com pessoas que não devia, e devota demais àqueles com os quais deveria cortar relações. Não consegui me conectar com ela nesta história. E acho que muito dessa minha reluta com o livro foi por causa disso também. Katharine, é, afinal de contas, uma das três protagonistas, e por não estar gostando dela, acabava que o ciclo todo ficava meio capenga.
Arsinoe é maravilhosa! Como sempre, a melhor personagem desta história! Seguida por Billy que é meu eterno amorzinho. Amo. Amo!
Mirabella, que eu não gostava muito no primeiro livro, me conquistou mais neste segundo. Ela parece que amadureceu um pouco e desceu de seu pedestal, então ficou mais humana. E a amizade dela com Arsinoe aquece meu coração.
Me irrito um pouco também com a forma da narrativa, que me deixa confusa e com dor de cabeça. A história é contada em terceira pessoa, porém, cada capítulo fala um pouco sobre uma rainha em específico, e toda vez que o narrador está contando a história de alguma delas, ele meio que entra nos pensamentos delas, então é como se tivéssemos três narradores na história o tempo todo. Achei meio cansativo. Principalmente somado ao fato de que Jules, a melhor amiga de Arsinoe, também é uma personagem muito forte desta história, e acaba se tornando uma quarta protagonista nessa loucura toda. Então fica meio louco ficar acompanhando tantos pensamentos ao mesmo tempo. Queria poder me focar em menos protagonistas, pra conseguir criar um vínculo mais próximo com eles. Assim, com várias pessoas nas quais prestar atenção, fica tudo meio superficial.
Enfim, acabou que o encanto pela série teve um fim, e infelizmente não vou querer seguir acompanhando este enredo. Mas foi bom enquanto durou, e gostei de ter conhecido as três rainhas de Fennbirn. Espero que elas não matem umas às outras nas sequências da série e acabem virando amigas.

– Então, como sabemos se estamos fazendo a coisa certa?
– Não sabemos. Apenas fazemos nosso melhor […].

resenha | THE RED QUEEN

Ahh, como eu amo os livros da Philippa Gregory! Ela sempre me surpreende com suas histórias sobre importantes e fortes mulheres europeias. Mulheres que marcaram gerações. E o mais legal é que nenhuma delas é igual a outra. Philippa mergulha na história de cada uma e trás sempre uma personalidade única para elas.
Eu não poderia ter amado mais este livro. Margaret Beaufort é uma personagem hilária, complexa e desafiadora. Em sua infância ela é encantadora, com toda sua inocência e devoção cega e descomedida. Ela acredita piamente ter sido escolhida por Deus e ter ouvido o chamado dele, assim como Joana d’Arc dizia ouvir o seu. Inclusive, Joana é a maior inspiração de Margaret ao longo do livro, o que é incrível, uma forte mulher seguindo os passos de outra na história.
Conforme Margaret vai crescendo, e muito devido aos ambientes e situações aos quais a submetem – como casar cedo, ter um parto complicado, estar praticamente abandonada da família e ainda por cima nunca ter a chance de criar o filho perto de si -, nossa protagonista acaba se tornando uma adulta amarga e ambiciosa. Ela segue com sua crença de ter sido tocada pela mão divina, que a escolheu e a seu filho para governarem a Inglaterra, e luta por esse objetivo até o fim. Mas pelo caminho ela acaba encontrando muitos, mas muuuitos obstáculos e assistindo a diversas reviravoltas no domínio do país. Muito disso a faz tomar algumas decisões precipitadas e erradas, sem que ela nem mesmo se dê conta do quão absurdo é o que está fazendo.
Mas o mais incrível disso tudo é que, como eu disse antes, Philippa desenvolve personagens muito singulares, e Margaret não poderia ser diferente. Ela acredita até o fim que está certa, que foi escolhida por Deus e que tudo que faz é da vontade dele. Não admite nem por um segundo estar errada em suas escolhas e desejos. Tanto sua mente como suas atitudes demonstram sua personalidade. E isso me deixou muito feliz, pois a fez ser uma personagem autêntica, diferente de muitas que vemos por aí no mundo literário, que pensam A, agem B e justificam seus atos com C. Nada faz sentido com nada em suas personalidades e a gente nunca sabe quem realmente são. Mas com Margaret é completamente ao contrário, a gente a compreende, pois ela é muito sincera consigo mesma, com o que deseja. Mesmo que nem sempre aja ou pense da maneira correta.
Outra coisa que achei muito legal – e um pouco engraçada – na personalidade de Margaret é que ela está sempre falando mal dos York, por terem usurpado o trono dos Lancaster. Ela rebaixa tanto a rainha Elizabeth Woodville em seus pensamentos, que é hilário, pois eu tenho certeza que Elizabeth nem sabia da existência de Margaret por um tempo. Margaret dava tanta atenção para Elizabeth, a xingando toda vez que tocava no nome dela, enquanto que Elizabeth por sua vez devia estar lá bem bela, vivendo sua vida de rainha, como se nada estivesse acontecendo.
Adoro ler os livros de Philippa por ter a oportunidade de conhecer cada vez mais a história da monarquia inglesa, que é um assunto pelo qual sou fortemente apaixonada. E a cada livro dela aprendo um pouco mais sobre os personagens que fizeram esta história toda acontecer. Neste livro, por exemplo, descobri, com imensa euforia, que Margaret é nada mais, nada menos, do que a avó do rei Henrique VIII! Realmente essa linhagem tem sangue quente e garras fortes.
Enfim, amei tudo! E já estou louca pelo próximo!

“I am a child sent out to do a woman’s duty.”