resenha | A SEXTA MULHER

A partir da sinopse a qual somos apresentados neste livro, tudo dá a entender que a história será sobre Catarina Parr – sexta e última mulher do rei Henrique VII – e seu abrupto romance com Thomas Seymour. Porém, a obra vai muito além deste simples cenário, e por ser narrada pela melhor amiga de Cate, Catherine duquesa de Suffolk, acaba também sendo muito sobre a vida desta, e sua paixão secreta pelo novo marido da amiga – no caso, o safado do Thomas.
Mesmo tendo achado interessante a dinâmica do livro, sendo ela diferente do que o que eu esperava inicialmente, a personagem de Catherine acabou não me convencendo muito no início da história. Ela se dizia uma pessoa impetuosa, destemida, que não seguia as regras quando estas não lhe convinham, e que dentre ela e Cate, ela era a mais cômica e espontânea, enquanto que a amiga era a centrada e educada da dupla. Porém, tudo isso só se passava em sua mente, uma vez que suas atitudes de verdade eram bem racionais e quadradinhas, dentro do padrão esperado pela sociedade. Mas enfim, em um certo momento do livro o jogo vira, e Cathy começa finalmente a aparentar a figura que pintava ser desde o começo. Daí então é possível confiar mais em sua palavra e respeitar a personagem, além de nos envolvermos mais com a história.
O enredo em si não foi um dos meus preferidos, pois mesmo Cathy evoluindo ao longo da história e se tornando um personagem mais cativante do que era no início, ainda assim ela não é uma personagem apaixonante. Ela melhora, mas não conquista. Realmente não me conectei com ela. Assim como não me conectei – acho que assim como todo mundo – com Thomas, seu amante. Ele é um bossal que me deu nojo durante todo o livro. E também fiquei chateada com Cathy pela postura a qual tomou em frente à situação que ele lhe colocara.
Resumindo, terminei o livro sem muito apreço por qualquer dos personagens, já que Catarina Parr também é outra sem sal que não agrada muito. Porém, o que mais me chamou atenção não foi a história desta obra em si, mas sim quando cheguei ao final dela – literalmente. A autora traz nas últimas páginas um epílogo citando alguns fatos e curiosidades reais dos personagens descritos no livro, e comentando que o romance entre Cathy e Thomas na verdade é uma parte fictícia que ela criou para rechear o restante da história. Achei muito interessante todas as informações que ela trouxe sobre Cate, Thomas e Cathy, além também de outros personagens que estão envolvidos de alguma forma com estes três. Estas informações nos dão aquele gostinho de “baseado em fatos reais” que é sempre conquistador.
E se já não bastasse este belo epílogo que me serviu como alívio literário após uma história meia-boca, a autora ainda escreveu uma explicação sobre sua forma de escrita, que não é de ficção história e que vai muito além disso. Amei saber mais sobre ela e seu processo criativo. Ela parece ser super bem resolvida quanto às suas opiniões, o que me fez gostar bastante dela, independente da história que eu acabara de ler. Gostei dela como pessoa. Uma a qual eu teria o maior prazer de encontrar em um café e conversar horas a fio sobre literatura, linguagem e construção de personagem. Ela me pareceu ser alguém com ideias bem formadas, interessantes e inteligentes. Então, Suzannah, quando quiser tomar aquele café, só me chamar! 🙂

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(RESENHA) Lembra de mim?

Recentemente eu criei uma amizade literária com uma colega de trabalho que já era minha amiga, mas que agora é minha book sister praticamente. hahaha A gente vive se indicando leituras, e emprestando livro uma pra outra.
Há uma semana, mais ou menos, ela me emprestou o livro LEMBRA DE MIM?, dizendo que era o tipo de leitura que eu iria amar. Confiei e não me arrependi! Terminei a história há cerca de umas duas horas e ainda estou em êxtase.
O livro é de uma autora que já amo há algum tempo: Sophie Kinsella, mesma autora da série Becky Bloom, e de Os Segredos de Emma Corrigan, livro o qual tive o prazer de apreciar em seu idioma original. Sendo assim, a obra emprestada e indicada por minha amiga já se mostrava promissora. Sem contar que o enredo me deixou extremamente intrigada.
LEMBRA DE MIM? conta a história de Lexi, uma jovem que acorda em um hospital, após um grave acidente, achando estar em 2004, com dentes tortos, cabelo desgrenhado, um namorado traste e um cargo de assistente em uma empresa de carpetes. Quando, para sua surpresa, ela descobre que na verdade está em pleno ano de 2007, com um corpo maravilhoso, um marido dos sonhos e o cargo de diretora na mesma empresa onde trabalhava. Só pode ser uma grande brincadeira do destino, mas não é. Lexi está sofrendo de amnésia, e esqueceu completamente os últimos 3 anos de sua vida. E agora?
Quando comecei a leitura fui completamente arrebatada! Não é só o enredo que é incrível, mas sua minuciosa construção e a constante onda humorística que envolve a história. Eu não conseguia me controlar e ria alto e sozinha a cada página, não importando o lugar onde eu estava. Confesso que provavelmente paguei um ou dois micos ao longo do caminho, lendo dentro do ônibus ou em locais públicos cheios de outras pessoas que me encaravam desconfiadas. Mas não estou nem aí, a história estava incrível! O que eu podia fazer?
Lexi é uma personagem maravilhosa! Eu não sou muito chegada em protagonistas, e constantemente me pego apaixonada por aqueles personagens secundários, que normalmente são os menos irritantes da história. Mas nesse livro não teve como não me encantar pela personagem principal. Ela é demais! Suas atitudes são incríveis, dignas, e sinceras. Fiz dela minha inspiração. Porque, afinal, o que somos nós aqui nesse mundo além de seres buscando compreender nosso eu interior e nossa real função na Terra? Estamos em uma constante busca para nos entender, e é exatamente isso que Lexi faz nesse livro, só que de forma bem mais literal, tentando saber o que se passou nos últimos anos e buscando se encaixar em sua nova-velha vida.
A história não poderia ser mais perfeita. Me fez suspirar, chorar e gargalhar, tudo em questão de algumas viradas de página. Indico à todos os corações moles de plantão. E me lembrou muito um filme que assisti há alguns anos, Para Sempre, de uma mulher que perdeu a memória dos últimos 5 anos e esqueceu toda a vida com o marido, homem este que então se dedicou a reconquistar a mulher. A resenha dessa outra história vocês podem conferir aqui. Vale muito a pena também! Sem contar o clássico Como se fosse a primeira vez que encanta a todos com a história de Lucy e sua memória de 1 dia. Outro filme que vale muito a pena assistir!

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(RESENHA) Asylum

Asylum é o primeiro livro da série homônima escrita pela americana Madeleine Roux.

Esta obra conta a história de um jovem, Daniel Crawford, que se inscreve para um curso de verão preparatório para a faculdade. E até então ele achava que tinha tudo para dar certo, já que logo no início do curso ele começa a fazer amizades e se sente confortável assistindo às aulas. É, seria ótimo se o prédio onde os alunos do curso dormiam não tivesse sido no passado um sanatório…

Já que o prédio original que servia como alojamento para os jovens que costumam fazer o curso preparatório da Faculdade New Hampshire foi fechado, os alunos foram alocados para o Dormitório Brookline, antigo prédio onde era administrado um hospital psiquiátrico. E é aí que a história começa a ficar boa!

Achei esta primeira obra da série muito boa e bem escrita! O enredo prende já no início. Quem adora histórias de terror, sanatórios e lugares abandonados vai adorar este livro. Ele tem tudo isso e muito mais. Sem contar a escrita sutil e perfeccionista de Madeleine.

A autora consegue nos dizer coisas da história sem estar exatamente nos contando elas. Não existem interrupções no storytelling para explicar algo para o leitor. Ela simplesmente vai jogando os fatos da história no meio da escrita, e a gente vai captando os backgrounds dos personagens sem precisar de uma explicação explícita sobre. O que achei incrível! Não gosto quando escritores subestimam a análise crítica e cognitiva dos leitores e acabam nos dando tudo mastigado, nos impedindo de pensar por nós mesmos e tirar nossas próprias conclusões ao longo do andamento da leitura. Roux foge completamente disso, e esse é apenas um dos motivos que me fez ficar apaixonada por ela logo neste primeiro livro.

Outra coisa que ajudou ainda mais no meu amor por Asylum foi ter lido o livro em sua língua original. E, gente… não tem nada melhor do que ler uma obra em sua escrita de origem. Todas as piadas, trocadilhos e referências fazem sentido. Sentido esse que dificilmente seria perceptível em suas traduções. Essa é uma coisa que notei ter mudado em minha forma de ler, tenho prestado muito mais atenção nestes detalhes que não se traduzem para todas as línguas desde que comecei a ler mais livros em inglês. E isso às vezes muda muito a nossa percepção sobre um livro.

Enfim, voltando à história, tudo é perfeito, desde o início ao fim. As peças vão se encaixando, a trama vai nos deixando intrigados, vai nos permitindo criar teorias e não nos deixa sem respostas. Tudo é explicado em algum ponto e o que fica em aberto acredito que seja importante para as sequências da série, então não são pontas sem nós. Madeleine está de parabéns! E já estou louca para conferir os demais livros.

Asylum

(RESENHA) Antologia de Contos Extraordinários

Esta resenha é sobre o livro de contos ‘Antologia de Contos Extraordinários’ de um de meus autores preferidos: Edgar Allan Poe.

Particularmente A-M-O este autor. Meu primeiro contato com seu trabalho foi quando eu ainda estava no ensino fundamental, ao ler o conto ‘O Gato Preto’ para fazer um trabalho da escola. Encantei-me por sua escrita de cara. Devo confessar que tenho uma queda por histórias de terror. Eu gosto de histórias com um suspense rondando no ar, aquelas que nos fazem roer as unhas e nos dão arrepios. Aquelas que nos deixam em uma agonia sem tamanho.

Então, tendo eu esta paixão por terror, na época viciei no conto de Edgar. Ele é todo trabalhado no mistério. Amei! E quando eu estava em uma das feiras do livro aqui de Porto Alegre, com a minha melhor amiga, e vi este livro do Poe em uma das banquinhas, não me segurei e o adquiri, feliz da vida.

Mas como nem tudo são flores, vou ter que dizer que só não dou nota mil para este livro por dois principais pontos: primeiro, o autor que fez a tradução colocou notas demais em algumas partes. Achei chato, pois eu ficava em um beco sem saída, ou lia e via que era algo desnecessário, ou não lia, mas ficava com a pulga atrás da orelha pensando se era ou não alguma informação relevante sobre aquele conto em particular. Chegou um ponto que simplesmente parei de ler suas notas, algumas eram realmente dispensáveis. O segundo ponto é que, mesmo Poe sendo um autor muito, muito bom mesmo, algumas de suas histórias eu não entendi, ou achei meio monótonas, talvez pelo próprio fato de não ter entendido. Não posso dizer que gostei de todas, mas sim que aprovei a maioria.

Abaixo farei conforme a resenha de Formaturas Infernais, onde comentei conto a conto para poder expressar minha opinião sobre cada um em particular, sem fazer injustiça com nenhum deles.

 

A QUEDA DA CASA DE USHER

Este foi o conto de abertura, e é um bem curtinho. Não achei nada de muito impressionante nele. Esperava um pouco mais de terror, ou talvez eu estivesse distraída demais e não tenha percebido sua profundidade, na verdade acabei achando meio vazio e superficial. Não fez muito sentido no final, mas não foi dos piores.

O BARRIL DE AMONTILLADO

Já tinha lido este anteriormente, e adoro ele. Trata de vingança, e o protagonista faz isto muito bem, de uma forma sádica e por vezes sarcástica. Fiquei com medo dele, de verdade. Ele é mau, mas sem ser aloprado. Permanece numa frieza que dá calafrios no leitor.

O GATO PRETO

O que posso dizer mais do que já comentei lá em cima? É o meu preferido! Foi o primeiro que li de Poe e o que mais amo. Talvez pela questão de eu ter tido uma gata preta até um tempo atrás, talvez pela nostalgia que me traz da escola, ou simplesmente por ser muito bem construído. Um dos melhores!

BERENICE

Sabe que esse eu nem me lembro bem? Acho que o protagonista e esta tal Berenice eram primos, e acabaram se envolvendo, mas não recordo do enredo em si e nem de sua resolução. Sei que não achei muito interessante.

MANUSCRITO ENCONTRADO NUMA GARRAFA

Este não tem tanto terror, mas sim bastante agonia proveniente do desconhecido. É uma viagem marítima psicótica e psicodélica que me deixou meio tonta.

WILLIAM WILSON

Se o anterior foi uma viagem marítima, este foi uma viagem, e ponto! Bem louco, mas incrivelmente bom. Ele é todo intrigante e termina em uma resolução de tirar o fôlego.

OS CRIMES DA RUA MORGUE

Se o Gato Preto é meu preferido, este com certeza vem logo atrás. Não tem muito terror propriamente dito, mas tem muito mistério, investigações e resoluções inteligentes. Me lembrou muito as histórias perfeitas da Agatha Christie. Amei!

O MISTÉRIO DE MARIE ROGÊT

Longo demais, cansativo demais. É meio que uma continuação dos Crimes da Rua Morgue, meio que baseado em fatos reais, meio que totalmente chato. Fico triste em dizer isso, mas não gostei deste conto, não.

A CARTA ROUBADA

G-E-N-I-A-L! Terceiro da série protagonizada por Dupin, um homem incrivelmente perspicaz, que estava presente nos dois contos anteriores, e que desempenhou um ótimo papel neste conto. Achei a resolução desta história uma das melhores.

METZENGERSTEIN

Diferente, legal, mas diferente. Meio diabólico. Mas me conquistou por possuir cavalos. Amo cavalos!

NUNCA APOSTE A CABEÇA COM O DIABO

Um dos mais macabros do livro. Apenas isto! Realmente arrepiante e super bem desenvolvido.

O DUQUE DE L’OMELETTE

Esse foi o pior de todos. Nem terminei de ler, pois foi realmente um fracasso. Sério, horrível! Não entendi nada, pois metade do texto estava escrito em Latim, e cheio de notas do autor, que eu não entendia nada. Ai, desisti na metade da leitura. Desculpe-me Poe.

O POÇO E O PÊNDULO

O que foi isso, minha gente? Incrível! Vai pra lista dos melhores. Surpreendente, intrigante, agoniante, bom demais. É um dos clássicos de Edgar.

 

Bem, estas foram minhas considerações. No fim o livro acabou sendo bem bom, mesmo tendo alguns pontos negativos. Mas Edgar Allan Poe é o Edgar, minha gente! É sempre bom. Super indicado este livro.

EDGAR ALLAN POE

resenha | Pompeia

João das Neves tenta se aventurar em uma história mais efervescente, mas não adianta, acabou novamente numa fria. Sentiram as referências?

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Acabo de assistir Pompeia, e infelizmente declaro que me decepcionei. Claro que eu não esperava uma história super incrível ou algo do tipo, mas também não achava que ia ser tão fraca como foi.

Pra quem não sabe, o filme trata sobre a história da erupção real de um vulcão que acabou por dizimar a cidade de Pompeia, que ficava no pé do monte Vesúvio. Mas pra completar o enredo, o filme também mostra batalhas, busca por vingança, e o clássico amor proibido.

O filme é estrelado por Kit Harrington (o tão famoso Jon Snow de Game of Thrones, mas que eu prefiro chamar de João das Neves). Ele interpreta Milo, um escravo que é gladiador, e que desde pequeno sonha com sua tão esperada vingança: quer acabar com a vida daqueles que mataram seus pais e todo o seu povo. Eis que em certo momento ele se depara Cassia (Emily Browning), filha dos governantes de Pompeia. Claro que eles se apaixonam à primeira vista. Mas como nem tudo são flores, a jovem é perseguida pelo Senador Corvus (Kiefer Sutherland), um homem obcecado por ela e que, olhem só, é o mesmo que matou a mãe de Milo. Que coincidência, não?

Não vou negar que o filme possui algumas cenas bem interessantes, de batalhas e da própria erupção do vulcão. Porém, a história em si deixou muito, realmente muito, à desejar. Ela é repleta de clichês, do tipo: as últimas palavras antes da morte trágica de entes queridos; o um milímetro que salva os protagonistas de caírem no precipício; o vilão que insiste em não morrer nunca, mesmo que todos a sua volta estejam caindo; o próprio amor proibido e muito mais. Estava gostando do início do filme, e super feliz por ter visto o João das Neves ser chamado de bastardo até neste filme – quem assiste Game of Thrones entenderá – mas da metade para o fim do filme ficou tudo muito previsível, sem novidades ou irreverências. Resumindo, chato.

Com o investimento que eles tiveram poderiam ter realizado uma produção muito melhor. Ainda mais com o elenco que eles tinham na mão, como Carrie-Anne Moss e o próprio Sutherland. Mas eles não souberam aproveitar esta oportunidade, não quiseram arriscar e acabaram apostando na mesma fórmula de sempre, que, apesar de conquistar um público já cativo que ama esse tipo de historinha clichê, não foi capaz de agradar um público mais crítico e exigente, sedento por reviravoltas na história e roteiros inovadores.

Concordo com:

Adoro Cinema

“o filme compensa a falta de sutileza e a pouca inteligência do roteiro com um espetáculo visual impressionante.”

“Harington não atua, ele posa como em um ensaio fotográfico, dando a impressão de que o diretor deseja transformá-lo em um novo sex symbol adolescente.”

“a produção exibe uma quantidade insana, divertidíssima e desabusada de caos e destruição.”

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