(resenha/filme) O Corvo

Se tem um filme que eu estava louca para assistir, é “O Corvo”. Ele conta a história do escritor Edgar Allan Poe e viaja por um mundo onde as histórias criadas por ele servem de inspiração para assassinatos cruéis de um serial killer.

Eu li algumas das histórias de Poe, e elas realmente sãp de arrepiar. Então imaginem isso tudo virando realidade nas mãos de um sanguinário assassino… Pois é, fica pior ainda quando o pobre Edgar (John Cusack) vê sua amada Emily (Alice Eve) ser levada por esse desconhecido perigoso, tornando-se peça fundamental do jogo psicótico que ele planeja jogar com Poe.

Devo atentar para o fato de que alguns detalhes me chamaram bastante atenção neste filme. Muito mais do que o roteiro, que não tem grandes surpresas ou reviravoltas, algumas interpretações me agradaram deveras. Começando por John Cusack que dá vida ao melancólico escritor Edgar Allan Poe. Sinceramente, acho que John nasceu para interpretar personagens perturbados. Ele tem aquele olhar caído, demonstrando cansaço e tédio por tudo que está a sua volta. Ao mesmo tempo interpreta cenas de fúria e cólera extrema. Ele parece dar um ar a mais de paranoia para seus personagens. O que fica lindo de ver.

Outro que me surpreendeu demais foi Luke Evans, o inteligente e determinado detetive Emmett Fields. Ele é daquele estilo durão e bondoso ao mesmo tempo. Leva o trabalho muito a sério, e faz de tudo para ver o bem das pessoas.  Ele foi o meu personagem preferido no filme todo. Além de ser charmoso é também justo, esperto, corajoso e honrado.

O desfecho deste longa é interessante, chegou a me deixar com certas pulgas atrás da orelha, mas não foi de todo surpreendente. Confesso que eu não queria que tivesse terminado do jeito que terminou, mas até que foi bom, pois adoro filmes que não terminam da forma como eu gostaria.

Para quem conhece as obras e o talento singular de Edgar, este filme está mais do que recomendado. Quem já leu algum de seus textos irá se identificar com este filme e poderá ver um pedaço deste excepcional artista estampado nesta aterradora história.

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(resenha/livro) Assassinato no Expresso Oriente

Já li alguns livros da Agatha Christie, e portanto já conheci sua forma de desenrolar os enredos de suas histórias. Porém, “O Assassinato no Expresso Oriente” foi o primeiro que li sob os olhos do detetive Hercule Poirot. Até hoje eu conhecia o incrível raciocínio lógico de Miss Marple, a detetive em outros livros de Agatha. Mas conhecer a visão de Poirot sobre histórias semelhantes, foi muito bom.

A história deste livro se passa, basicamente, toda em um trem, o Expresso Oriente como já deixa claro o título. Após ficarem presos em uma nevasca, os passageiros do trem descobrem que aconteceu um assassinato no local e logo surge a coincidência de terem um detetive a bordo, Hercule Poirot, que começa a estudar todo o caso. Ele interroga testemunhas, analisa os fatos, debate com os colegas e faz diversas suposições.

Como sempre, Agatha me surpreendeu no final de sua história, e parece que quanto mais livros dela leio, mais ela consegue me deixar de queixo caído. É como se cada livro que eu lesse fosse melhor que o outro, mais elaborado. O caso é que eu não leio em ordem alguma suas obras. O fato é que ela é boa e pronto!

Este livro, em particular, simplesmente me chocou no seu desfecho. Eu fiz mil e uma suposições de quem, afinal, poderia ser o assassino. Imaginei Deus e o mundo, mas simplesmente não imaginei o que realmente havia acontecido. Também, ninguém adivinharia uma coisa dessas. Somente Agatha para criar algo tão instigante assim.

Nesta história ninguém é o que parece ser, e devemos desconfiar dos testemunhos de todo mundo, caso queiramos desvendar este mistério.

“Assassinato no Expresso Oriente” é mais uma prova de que a Agatha já conquistou um espaço VIP no meu coração e se tornou uma das minhas escritoras favoritas. Vale muito a pena ler este livro e ficar completamente desorientado em meio a tantas suposições e possibilidades de desfecho possíveis.

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(resenha/livro) Lord Baccarat

Eu sou apaixonada por livros, então não foi de se admirar que quando a minha professora de Português II revelou que precisávamos ler ao menos um dos três livros que ela indicou para o semestre, eu acabei escolhendo… os três. Entre as opções fornecidas, eu escolhi começar por um que jamais havia ouvido falar, e o qual possui como autor um conterrâneo do meu amado Rio Grande do Sul, Alcy Cheuiche: Lord Baccarat.

Quando comecei a ler o livro sabia que seria bem familiar, já que se passa em muitos locais que eu conheço aqui no meu estado, como Porto Alegre e demais cidades próximas. Também sabia que traria certo contexto político em seu enredo, pelo que a professora havia comentado em sala de aula sobre ele. Mas o que eu não sabia é quem ou o quê, afinal, era esse tal de Lord Baccarat. Foi com grande prazer e felicidade que, ao ler a história, descobri que o indivíduo de nome tão singular era nada mais, nada menos do que um lindo cavalo tordilho. Este fato só fez com que eu me apaixonasse ainda mais por esta obra.

A história é narrada de duas formas diferentes: uma em terceira pessoa, que transcorre no passado, nos contando fatos já acontecidos e que nos elucidam sobre as coisas que estão ocorrendo no presente; outra parte é escrita em diálogos entre Armando, protagonista da história, e seu irmão Maurício.

Como dito anteriormente a história tem um teor político. Ela fala sobre corrupção, ditadura, revoluções, exilados do Estado e coisas do gênero. Esta é uma parte bem presente na história toda. Por entre este enredo complexo e polêmico, há um tênue véu de dúvida, que nos deixa pensando se as coisas que estão sendo supostas realmente aconteceram ou não passam de delírios de uma mente perturbada devido à perda cruel de entes queridos. Eu, sinceramente, ainda tenho minhas dúvidas. Por um lado acredito em tudo o que foi dito, mas por outro eu realmente quero que sejam apenas suposições, pois são coisas tão cruéis que não mereciam ter acontecido de verdade.

Além de tudo isso, somos apresentados ao amor familiar, o mais forte laço entre os seres humanos em meio à sociedade caótica e corrupta na qual temos vivido há tanto tempo.

Apesar de Lord Baccarat não ter tanta participação durante o transcorrer de toda a história, ele é chave importante na conclusão do enredo de uma forma geral.

Realmente gostei do livro, foi uma leitura muito boa e aconchegante. Uniu algumas de minhas paixões em um mesmo lugar e me deixou maravilhada por isso: mar, cavalos, fazenda, Rio Grande do Sul, relacionamento pai e filha. A única coisa que me deixou meio intrigada foi o final. Não sei se não ficou um tanto quanto forçado demais. Mas não foi algo capaz de estragar todo o resto da leitura em si, foi apenas algo muito repentino, e não me fez acreditar que seria possível ter acontecido daquela maneira. Mesmo assim, vale muito a penas conferir esta obra.

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(resenha/livro) Lola e o Garoto da Casa ao Lado

Recentemente tive o prazer de apreciar mais um dos livros publicados pela Novo Conceito. Assim como boa parte das obras deles, “Lola e o Garoto da Casa ao Lado” foi mais uma que me encantou. Este livro me conquistou em todos os aspectos imagináveis.

Para falar a verdade eu comecei a ler este livro sem ter muita ideia do que seria. Não conhecia ainda a escrita de Stephanie Perkins. Então era tudo uma grande interrogação para mim. Porém não demorou muito para que as linhas bem traçadas e a trama bem encaixada de Stephanie acabassem me cativando.

A história flui tranquilamente, é gostosa, aconchegante e além de tudo, possui o toque perfeito de humor. Não tem muito daquele melodrama que tanto presenciamos em outros lugares. Tem sim, adolescentes se questionando sobre a vida e ficando indecisos perante algumas situações. Mas não senti aquele tom pesado e clichê com o qual outros autores retratam as histórias juvenis.

Além de um enredo muito bem elaborado e contagiante, o livro de Perkins ainda conta com uma escalação perfeita de personagens. O que gostei de mais neles é que nenhum me inflamou a fúria ou a antipatia. Em todas histórias que leio eu sempre acabo pegando nojo de algum personagem em particular (muitas das vezes é do próprio protagonista). Porém em “Lola” não consegui ficar braba com nenhum personagem. Até mesmo aqueles que deveriam, supostamente, preencher o papel de antagonista da história, acabaram me cativando. Isso porque os personagens de Perkins são seres humanos, com defeitos e qualidades, não vilões, heróis ou mocinhas em perigo. São diferentes entre si, cada um com uma característica particular, mas todos com seus motivos, também independentes, de porque são como são. Desde os pais gays de Lola, as amigas e amigos fieis da protagonista, até seus dois amores e a possessiva Calliope, todos me conquistaram com suas personalidades tão marcantes e contagiantes.

Claro que eu não posso esquecer do romance que foi um ponto crucial na história e que só fez o livro ganhar muitos pontinhos comigo. Foi tudo tão lindo e perfeito de uma forma imperfeita, que me fez ficar apaixonada por esta história. Com certeza é uma das minhas leituras favoritas e eu super indico a todo mundo. Vale a pena conhecer o círculo social com o qual a maluquinha Lola se relaciona.

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(resenha/livro) O Mundo de Vidro

Hoje terminei de ler um livro que a minha amiga me emprestou, e eu sinceramente pensei que ia ser melhor do que foi. Bem que essa minha amiga me avisou que o livro era estranho. Eu perguntei a ela se o livro era bom e ela não soube expressar o que sentia por ele. Disse então que era estranho. Essa definição não me convenceu, até que eu li o livro e compreendi o que ela tinha tentado me dizer.

Realmente Maurício Gomyde é um autor difícil de decifrar. Ele consegue fazer com que o livro seja realmente instigante em algumas partes, nos arrancando algumas risadas, e em outros momentos nos deixa com aquela expressão de pastel de ar, vazia e sem emoção.

A história do livro é sobre um homem desengonçado, largado, tímido, atrapalhado e com uma história nada empolgante para compartilhar. De repente este homem se apaixona à primeira vista por uma mulher linda, inteligente, carismática e, resumindo, perfeita. Porém ela não se apaixona por ele à primeira vista, o que cria o conflito da história: homem esquisito ama mulher perfeita que está muito além do que o que ele pode alcançar. E o livro se passa, então, falando sobre a amizade que criam, do sofrimento dele por ser apenas amigo dela, das dúvidas dela sobre o que realmente sente por ele, enfim. No meio deste drama todo, a jovem perfeita começa a receber, capítulo por capítulo, um livro que parece contar a mais linda e perfeita história de amor já escrita na face da Terra. E ela começa, então, a se perguntar quem será o autor de tão sublime livro.

Realmente o livro escrito dentro do livro é lindo. Cada capítulo que a jovem recebe é mais perfeito do que o outro. Porém, mal temos tempo de aproveitar o momento de perfeição descrito nas palavras do autor secreto da garota, e já vem um FÉLA DA PUTA aqui ou qualquer outro palavrão que apareça para tirar todo o encanto da cena. E era disto que a minha amiga falava.

Gomyde é um autor em potencial, mas este livro me fez pensar que ele ainda não chegou lá. Entendem o que quero dizer? Parece que ele chega na beira do abismo, abre os braços largamente, sente o vento soprando o rosto e empurrando seus cabeços, mas no último momento desiste do salto e dá alguns passos para trás, voltando ao marasmo e calmaria de uma vida sem magia.

Este livro parece ter sido bem escrito, porém não parece ter sido revisado ou tido a devida atenção. É como se o autor tivesse ideia geniais, as transcrevesse no papel rapidamente para não esquecer e tivesse decidido publicar assim mesmo, sem nenhuma alteração ou melhoria naquele rascunho.

Outra coisa que notei foi um pouco de exagero em certas cenas, nomes de músicas, livros, cantores, ou até mesmo histórias surreais sobre papagaios com nome masculino, mas que na verdade são fêmeas, e que ficam falando palavrão todo dia de manhã, como se fosse o despertador de um bordel ou algo do tipo. Coisas forçadas tentando ser engraçadas. Não deu certo.

E o final também ficou a desejar. Sinceramente não aceitei muito o desfecho proposto. Mas enfim, não posso dizer que o livro é ruim porque ele conseguiu me cativar em alguns momentos, mas em outros me fez questionar porque mesmo eu estava lendo ele. É aquilo, é um livro ESTRANHO.

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